Resenha #26 - Resposta Certa


TÍTULO: Resposta Certa

AUTOR: David Nicholls

EDITORA: Intrínseca

PÁGINAS: 346

SINOPSE: As notas altas e ofertas de bolsas de estudos fizeram com que Brian Jackson se enquadrasse no perfil de 'aluno inteligente', porém, agora que ele tem seus 18 anos e está ingressando em uma universidade, ele perceberá que estereótipos não fazem a pessoa. Seu sonho de infância sempre foi participar do "Desafio Universitário", um programa de perguntas e respostas televisionado. Ele consegue entrar para a equipe de sua faculdade e passar da etapa classificatória, mas antes das gravações do programa de auditório começarem, ele ainda aprenderá algumas lições que estão além dos conhecimentos gerais.


  Eu iniciei a leitura sem muita expectativa, o que foi muito bom afinal. A nota do livro no Skoob não é muito alta, o enredo é leve e praticamente todos os comentários na capa e contracapa destacam o quanto a obra é cômica e fidedigna à realidade universitária... Terminei o livro gostando mais do que achei que gostaria.

  O início é um tanto maçante, destacando como o protagonista é inteligente, conhecedor de cultura inútil e fã de Kate Bush; mas, no decorrer das páginas, Brian vai sendo aprofundado e descobrimos que ele perdeu o pai (com o qual assistia ao Desafio Universitário) ainda muito jovem, que bebia muito, só tinha dois amigos e não gostava de seu trabalho de empacotador de torradeiras. É claro que, mesmo assim, Brian continua sendo um personagem dos mais chatos e metidos a inteligente, mas a nossa visão a respeito de sua vida e seu passado é ampliada.

  Já na faculdade, em sua primeira festa, ele conhece alguns dos amigos que lhe acompanharão durante toda a sua trajetória universitária, com destaque para Rebecca Epstein, uma garota judia e excêntrica, engajada com causas sociais e de extrema esquerda; e Alice Harbinson, a garota linda e inteligente que chama a atenção de todos - principalmente de Brian, que se apaixona por ela.

  Depois dessa festa, e isso é uma dica para quem se interessar a ler, o livro melhora demais. De fato, desse ponto pra frente, o livro faz valer todos os comentários que destacam sua comicidade. Brian vai passar o ano novo na casa de campo dos pais de Alice e as situações que são criadas fazem qualquer um rir - e eu nem tenho o costume de rir lendo livros...

  Algumas coisas me incomodaram durante a leitura, como o grande número de erros gramaticais (encontrei mais erros nessas quase 400 páginas do que nas 1600 da Crônica do Matador do Rei), alguns clichês, algumas previsibilidades, a necessidade de Nicholls de pontuar as falas dos personagens com exclamações, o fato de Brian Jackson se recusar a assistir De Volta para o Futuro duas vezes, e, agora uma crítica arbitrária e passional: Quem prefere Kate Bush a Led Zeppelin ou Simon & Garfunkel?!

  No fim das contas, é possível passar por cima de alguns sinais de pontuação inconvenientes, erros gramaticais e preferências do personagem principal para aproveitar essa obra singela e profunda, leve e engraçada. Ainda pretendo ler "Um Dia", do mesmo autor, e assistir ao filme adaptado de "Resposta Certa". Quem se interessou pelo livro tem o meu incentivo para iniciar a leitura, apenas não criem muita expectativa e tenham em mente que o que tornam os personagens chatos também os fazem verdadeiros.

10 comentários :

  1. Oi Arthur! Tudo bem?
    Então né? Que bom que a leitura conseguiu ser agradável à você, eu sinceramente não leria o livro pela capa e como ainda não li UM dia também não daria confiança ao autor. Mas você citar os erros gramaticais, revisibilidades e clichês me tiraram qualquer mínima vontade de ler o livro.
    Eu também tenho mania de rir lendo, na verdade eu me expresso de todas as formas quando estou lendo, risadas, surpresa, raiva e por ai vai!! Minha mãe sempre me pergunta se estou doido hahahaha

    Xo
    Re.View

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  2. Pois é, Alisson, se clichês e erros gramaticais chegam a lhe encomodar muito, é melhor que passe longe do livro. Mas eu gostei da capa... Hahah, acho que é questão de gosto.
    Grande abraço!

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  3. Como assim alguém não quer ver De Volta Para o Futuro?!? Com um personagem desses, esse livro deve ser uma porcaria. hahahahaha
    Poxa, eu queria ler mais livros que fossem da nossa faixa etária, sabe? Com personagens na faculdade e tudo mais, mas só encontro livros que ainda parecem ser escritos pra adolescente, com enredos estilo high school, só que na faculdade. Nem faz sentido. Não me interessei por esse aí, mas se você souber de algum outro, por favor, me fale.

    http://sobrelivroseletras.blogspot.com.br/

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  4. E ele não somente se recusa a assistir o filme duas vezes. Ele se recusa a assistir o filme no cinema, na estréia, duas vezes (a história se passa em 1985). Prefere levar a Alice pra assistir O Encouraçado Potemkin, julgando ser mais intelectual... Ela não gosta, é claro.
    E eu também queria ler livros assim, com personagens universitários e mais críticos. Acho que assuntos muito mais elaborados e profundos poderiam sair de um enredo assim... Mas fazer o quê né, clichê vende.
    De qualquer forma, se eu encontrar um livro bom nesse estilo eu te aviso.
    Inté!

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  5. Depois do começo da resenha eu tive que ir pesquisar quem é Kate Bush no google e nossa, que decepção. Enfim.
    Pela personalidade do personagem principal que você mencionou, ele parece ser bem parecido com o Colin, de O Teorema Katherine (não sei se já leu). Não sei se isso é bom ou ruim.
    Ai, erros gramaticais me deixam sempre com um pé atrás, então talvez eu leia se precisar de algo mais leve.

    http://livrodeunicornios.blogspot.com/

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  6. Também já li OTK, mas não achei os personagens parecidos... Colin é mais inteligente e mais interessante, além da história do livro ser bem mais envolvente também. Brian é um personagem chato numa história café com leite. Talvez a maior semelhança entre as obras seja o humor, que, no caso do livro do John Green, é melhor trabalhado também (Hassan Harbish é um fugging mito!)
    Resposta Certa é um bom livro, porque consegue fluir bem, apesar do protagonista insuportável; mas O Teorema Katherine vai muito além disso - e sem falar que ele tem notas de rodapé irônicas e informativas.
    No fim das contas, gosto muito dos dois livros, mas a minha preferência é clara. Indico fortemente ambos para qualquer um que se interessar, para que sozinhos tirem suas próprias conclusões. Se for ler, bom proveito! :D

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  7. Arthur, tudo joia?

    Vi seu recado no Skoob (antigo, por sinal) e passei para conhecer seu blog. Não sei como não vim antes! haha Você escreve bem e essa resenha foi gostosa de ler.

    Não sei se eu gostaria desse livro, pois há um tempinho tive uma má experiência com um livro nesse estilo ~estudantes chatos~. haha De qualquer forma, foi bom saber a sua opinião.

    Estou te seguindo no twitter (GFC não consegui!).

    Beijo

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  8. Que bom que gostou, Thaís. :D

    Então, eu também não tinha grandes expectativas para com o livro e, talvez por isso, acabei gostando. O fato do protagonista ser chato é o que irrita mais, mas mesmo assim dá pra passar por cima disso e terminar o livro aproveitando os momentos cômicos do enredo.
    Não é um livro pra se tomar como favorito, mas é uma excelente pedida pra limpar a cabeça entre uma leitura pesada e outra.

    Obrigado pela visita, mesmo atrasada (aquele recado já tem mais de um ano!)

    Grande abraço!

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  9. Cara, eu não estou acreditando no quão tapada eu sou. Li esse livro tem um tempo já, gostei bastante na época, mas não lembro mais nada da história e acabei de descobrir (por você) que tem um filme. Como que eu não sabia disso?? Fui correndo que nem uma desesperada procurar elenco, trailer, tenho que assistir!
    O livro "Um Dia" está no meu top 3 livros favoritos da vida, gosto muito mesmo, tanto do livro quanto do filme e sem duvidas (na minha opinião) é o melhor dos três livros já lançados, aqui no Brasil pelo menos, do David Nicholls, amooo!

    Gostei da resenha, parabéns!
    Beijo,
    http://portaoazul.blogspot.com.br/

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  10. Hahahah, sim! Tem um filme, mais antigo que o de "Um Dia" até.
    Não assisti nenhum dos dois, mas ouvir (ou ler) você falando tão bem da outra obra dele me animou mais a iniciar a leitura. Obrigado por isso. :p
    Grande abraço!

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